Os
aquecedores de água a gás convencionais,
além da combustão aberta, apresentam
tiragem natural. Isto significa que os gases quentes
de combustão são expelidos para
o exterior, através das respectivas chaminés
de exaustão, unicamente por estarem mais
quentes e serem mais leves do que o ar atmosférico
existente dentro do ambiente onde se alojam. Isto
porque gases quentes apresentam uma natural tendência
ascensional, a exemplo dos balões dirigíveis
e mesmo dos balões soltos em festas juninas.
Os fabricantes de aquecedores calculam o poder
ascensional, ou tiragem, dos gases quentes de
combustão dos seus equipamentos, um valor
limitado para cada modelo, e determinam o diâmetro
mais adequado para a saída desses gases,
onde será alojada a respectiva chaminé.
Por esta razão, existem limitações
de suma importância relativas à localização
do aquecedor a gás de tiragem natural em
relação à parede externa
do ambiente que o contém, e à instalação
da própria chaminé.
Se houver dificuldade para a saída dos
gases quentes em aquecedores de combustão
aberta, eles poderão em parte retornar
para dentro do local que os abriga, e neles introduzir
o famigerado e tóxico monóxido de
carbono.
Por exemplo, uma chaminé com comprimento
excessivo pode favorecer em dias frios um resfriamento
parcial dos gases quentes de combustão,
com redução de sua densidade e alteração
nas condições de queima, tornando
a chama mais amarela, com produção
de monóxido.
Por outro lado, facilidade excessiva para o escape
dos gases quentes de combustão para a atmosfera,
acima do previsto pelos fabricantes dos aquecedores
a gás, também não é
recomendada, pois isto provoca um fluxo de ar
exagerado em direção ao queimador
e pode causar o repentino apagamento da chama,
e conseqüente vazamento de gás para
dentro do ambiente, com risco de intoxicação
e até de incêndio.
A mesma norma técnica NBR 13103:2006 fixa
as condições para a correta instalação
de aquecedores de água a gás com
combustão atmosférica e tiragem
natural. A figura abaixo é válida
tanto para aquecedores de acumulação
(com tanque para reserva de água quente)
quanto para aquecedores instantâneos ou
de passagem (que aquecem a água no momento
de sua passagem pelo aparelho).

Esta
norma exige que todo aquecedor de água
a gás tenha uma chaminé, para
que os gases quentes sejam conduzidos para
fora do apartamento. A chaminé deve
ter diâmetro uniforme e igual ao diâmetro
da saída de gases de combustão
do aquecedor. Assim, se o aquecedor instalado
possuir uma saída de 125 mm de diâmetro,
a chaminé também deverá possuir
esse mesmo diâmetro (equivale a 5 polegadas).
É proibido instalar chaminé com
diâmetro inferior ao da saída
do aquecedor ou reduzir esse diâmetro
no meio da chaminé, pois, nestes casos,
haverá um estrangulamento dificultador
da exaustão dos gases.
Entretanto,
em certas condições, é possível
aumentar esse diâmetro para compensar a
dificuldade de fluxo causada por comprimento exagerado
ou curvas em excesso na chaminé; porém,
isto requer cálculos de engenharia que
só um profissional especializado pode realizar
de forma adequada. Além disso, o trecho
horizontal da chaminé deve ser o mais curto
possível e estar instalado com uma inclinação
mínima para cima em direção
ao exterior, subindo pelo menos 2 cm a cada metro
de extensão (ou 2% de declividade). Essa
inclinação favorece o fluxo de gases
quentes para fora, pois tendem a subir.

Erros
de instalação: aquecedor desprovido
de chaminé (esq.) e redução
do diâmetro da chaminé (dir.)

Erros de instalação: trecho horizontal
de chaminé com inclinação
descendente (esq.) e
extensão excessiva, sem inclinação
(dir.)
Em
princípio, o trecho vertical de chaminé,
logo acima do aquecedor, deve ter uma extensão
mínima de 35 cm, a contar do topo da gola
ou defletor do equipamento, onde se inicia a chaminé,
até a base do trecho vertical subseqüente.
Também, a chaminé deve ter uma única
curva de raio longo de até 90° e o
comprimento mínimo do trecho horizontal
não deve ultrapassar a 2,00m.
Quando algum desses três requisitos não
puder ser observado, é necessário
prover alguma forma de compensação,
por exemplo, criando um trecho vertical adicional
fora do apartamento, rente à parede externa,
neste caso dotado de um chapéu chinês
(terminal em formato cônico) na extremidade.
Outras formas de compensação são,
por exemplo, o aumento do diâmetro da chaminé
e a redução no ângulo da curva,
de 90° para 45° ou menos.
Adverte-se, no entanto, que estas situações
excepcionais são admissíveis, mas
requerem cálculos de engenharia apropriados,
mediante concurso de um profissional especializado
que estudará as alternativas possíveis
e indicará a melhor solução
para cada caso.
Vale ressaltar que a exigência de comprimento
mínimo de 35 cm para o trecho vertical
da chaminé deve ser considerada quando
o aquecedor possui um defletor em forma de gola
na parte superior do equipamento (ver fotos acima).
Entretanto, há aquecedores com tomadas
de ar laterais para a exaustão de gases,
na forma de aberturas horizontais superpostas,
como a da figura abaixo (à direita). Neste
caso, a exigência de altura passa a ser
de 60 cm, contados a partir da base da abertura
mais inferior no aparelho, até a base do
trecho horizontal da chaminé.

Erros
de instalação: inexistência
(esq.) e insuficiência de altura do trecho
vertical (dir.) da chaminé (dir.)
Outro
cuidado que deve ser objeto de verificação
é a obrigatoriedade da existência
de um terminal adequado na extremidade externa
da chaminé, quando ela descarregar os gases
de combustão para o ar livre ou área
externa do edifício. É proibido
expelir gases de combustão dentro do apartamento.
O terminal se destina a permitir o correto expelimento
desses gases sem prejudicar as condições
adequadas de tiragem. Sua ausência aumenta
o fluxo de gases na saída e de ar atmosférico
sobre a chama, possibilitando o seu apagamento
e causando desregulagem na proporção
correta de oxigênio e gás combustível
para a queima ideal, com chama estável
e totalmente azul.Também a falta do terminal
possibilita a entrada de água de chuva,
impelida pelo vento, dentro da chaminé,
e daí para o interior do aquecedor, possibilitando
o apagamento da chama.

Erros
de instalação: Terminal dentro da
edificação (esq.) e posicionado
na direção horizontal (dir.)
Outro
risco, onde não há terminal instalado,
quando a extremidade externa da chaminé
se abre para uma fachada do edifício voltada
contra as direções de ventos fortes
(mais freqüentes os de leste e nordeste em
Curitiba), é o sumário apagamento
da chama. Isto porque o terminal também
tem a função de dificultar a incidência
direta de ventos sobre o interior da chaminé.
Em relação a esse aspecto, a posição
do terminal é relevante. Ele não
deve ficar instalado junto a concavidades e cantos
côncavos na fachada externa do edifício,
como na foto acima à direita, pois são
regiões de estagnação do
vento de incidência direta, e locais que
favorecem a formação de sucção
quando os ventos incidem perpendicularmente. Neste
caso, o apagamento da chama poderá ocorrer
com freqüência sempre que ocorrer um
vento forte.
Como os gases quentes que escapam pelo terminal
apresentam tendência ascensional, é
errado instala-los com sua maior dimensão
na direção horizontal, pois isto
é um dificultador para o seu livre escoamento
e pode alterar as condições que
mantém a chama estável e a queima
em proporções ideais. Outro erro
freqüente é a instalação
do terminal encostado na fachada externa do prédio
e até recuado em relação
a ela, dificultando a saída dos gases quentes
e contribuindo para o chamuscamento da pintura
ou do revestimento externo.

Erros
de instalação: terminal da chaminé
recuado (esq.) e encostado (dir.) na fachada do
edifício
O
terminal deve distar pelo menos 10 cm da
superfície exterior do edifício.
Esta distância mínima permite
uma circulação de ar adequada,
que possibilita a tiragem correta e exaustão
natural e impede que o calor dos gases quentes
seja transferido em parte para a parede externa.
Finalmente, vale lembrar que um aquecedor a
gás representa um enorme conforto para
os moradores, com fornecimento de água
quente de forma rápida e satisfatória,
sendo atualmente mais econômico para
esta finalidade do que um correspondente aquecedor
elétrico.
Para que esse conforto e economia ocorram de
forma segura para os moradores, é imprescindível
que os aquecedores a gás estejam instalados
de forma correta, em ambiente adequadamente
ventilado, e sejam mantidos sempre bem regulados.
Em caso de suspeita de presença do gás
tóxico monóxido de carbono no
ambiente de instalação do aquecedor
de combustão aberta, deve-se solicitar
a presença de um técnico especializado,
de uma empresa de manutenção
de equipamentos a gás de confiança,
para fazer a medição da concentração
desse gás.
Fonte:
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